26.9.16

vilas

a vida pede uma vírgula,
eu dou várias reticências...
o sonho, mesmo fraco, ainda é visível daqui -
de cinza em cinza, um tom pastel.
com os olhos fechados reclamo escuridão,
com ouvidos atentos percebo esperanças.

2.6.16

Sobre trapaças

Meu corpo é de difícil controle.
Meu cabelo enlouquece com a carícia
do vento.
Minhas mãos desenham curvas perigosas
nas paredes do teu abraço.
Minhas pernas dançam desordenadas
ao ritmo da casa.
Meu coração se descompassa ao som
da tua voz.
Meus olhos marejam ao sabor das ondas.
Minha boca ecoa noite e dia
desejos de felicidade.
Meu corpo se atormenta a menor ausência.
Meu corpo se vai...

31.1.16

plenitude

uns lábios molhados de saliva alheia
[mudos de oportunidades
[tristes de desejo
olhos quase felizes de chuva
[caídos de ternura
[secos de noite
mãos soltas em buscas
[dedos longos de saudade
[unhas curtas de medo
uma existência toda de tempestade
ausente de margaridas
transparente de nuvens
(em um universo paralelo ao abismo.)

27.1.16

Horizonte

Rotas paralelas
(Um meio de fuga).
Em um piscar de olhos,
Vários sonhos perdidos.
Sigo parada no caminho
[que você abandonou.
Surpresa com a chuva de verão
[que disfarça meus olhos secos.

28.4.15

De sentidos

Precisei liberar os fantasmas,
Sempre adormecidos dentro de mim.
[Malvados de qualquer forma,
Eles me encaram:
Fazendo perguntas?
Dando respostas?
Nunca sei.
Vingativos por direito;
Sedentos demais.
Basta fechar os olhos e
(As portas)
Apenas sussurros de desgosto.

23.4.15

um outro dia

gosto de juntar palavras soltas,
como quem varre as folhas caídas.
procuro limpá-las de todo o caos
(só pra você entender...)
e restos de lama da última tempestade.
gosto de misturar os pensamentos
[e perder os sentidos.
só pra você perceber...

29.3.15

Sem ver

Com passos curtos,
Encontro outra saída
(rota de fuga),
Longe de redemoinhos sonolentos.
Longe de mãos insistentes.