12.12.11

Num movimento da tarde

Com tons alaranjados
[o mundo se desfaz
Em curtas réstias de ânimo -
Com uma pressa desalentada
[de quem busca escapar
(fechando os olhos brevemente).

3.12.11

...

Essa imensidão de nuvens
[acima dos teus pensamentos,
O que fazer com tuas chuvas
[de verão incerto?
São tantas pétalas
(não desabrochadas)
Distraindo ao horizonte (...)

10.11.11

Retrato

Por horizontes tristonhos de nuvens,
Destrato as imagens foscas
[de tuas palavras
Separando tudo em monossílabos intensos
[e hiatos dissimulados;
Limpo os distúrbios de azul
[dentro da tua ausência
E acrescento devastações amarelas -
Em gigantes espirais indo sem rumo.
Os girassóis florescem sozinhos nesse caos -
Não importando o clima destemperado.

29.10.11

De trens e horizontes

O trem partiu bem tarde,
Numa manhã clara.
Apesar de toda a balbúrdia,
Importava apenas aquela
[mão pequena
Indo pra longe e acenando.
No rosto pairava dúvida,
(-Quando irá me buscar?)
E sumia rapidamente.
O trem foi embora -
No horizonte apenas sua fumaça;
Dentro do peito, um futuro arruinado.

18.10.11

Rumo norte

Sentado no meio da praça,
Entre árvores e brisas -
Com dedos do tempo aceita
[o vento;
Com olhos tranquilos
Vislumbra eternidades
[e infinitos degraus.
Sem a pressa do fim da tarde,
Arruma histórias e
[deixa anoitecer.

15.10.11

Reflexos

Com olhos molhados e sofridos
(por muitos refletores),
Observa um corpo palpitante demais
[e sem rumo.
Brotando pequenas gotas de medo
Demorou-se alguns instantes.
Num átimo surgem pedaços de desejo
[e disritmia.
Contornou a multidão inexistente
E quedou-se sem rumo também
- Sem a sutil distância segura
[entre mundos bagunçados.

9.10.11

Ruas singulares

Entre sutilezas e palpitações
Tuas mãos descrevem
(viagens longínquas)
O final duma tarde morna,
Com cheiros de jasmim e canela.
Teus olhos serenos prenunciam
(uma noite de brisa e sossego)
O resto dum dia límpido e
[enluaradamente agradável.

27.9.11

Caos sem roteiro

Sem tamanha doçura
Pressinto tuas mãos quentes de devaneio
(Se te enervo, desatino).
Vejo teus lindos olhos brilhantes
- de mentira,
Acredito na tua falta de tranquilidade
(Não assumo e te assombro).
Adivinho tuas diversas crueldades,
Tuas desavenças futuras
(Se sumo, te devasto).

17.9.11

Paredes/ Sonâmbulo

Teus passos incertos de bêbado,
Com cautela e medo -
Pra onde seguem?
Teus toques cegos no escuro -
O interruptor sempre some.
A casa imensa te engole
(os passos, as mãos, o grito, a alma)
Sem distrações.
Por onde se volta?

10.9.11

Sem partir

Numa tarde morna
Abri uma porta estreita
E me deparei com
(o abismo)
Teus olhos cheios de medo.
Sem truques ou alarde,
Lágrimas ou queda.
Era num fim de tarde,
Bem perto da escuridão.

3.9.11

Por temor da noite

Teu hálito tão quente
(e tão próximo...)
Me avisa que o dia acabará
(num instante.)
Sem sobressaltos ou olhares furtivos
Busco refúgio numa janela
[aberta pra lugar algum.
Ir agora é deixar anoitecer.
Ir embora agora é não voltar mais.

27.8.11

Pés molhados

Com o rio brinco
[até o nascer do dia.
Ele desarruma meu cabelo
E me entontece.
Deixa arranhões leves
[que não me deixam esquecer...
(Vai embora com promessas,
E volta com renovada loucura)
Se despede com o doce sorriso
[de quem não parte nunca.

22.8.11

Promessas de mar

Uma sombra de desespero
[se esconde dentro do peito.
De luas e vertigens vejo
[teus olhos brilhando.
(Anda, Lua, bem na minha janela!)
Fechando os olhos em segredo -
Sem os desvios do pôr-do-sol,
Um desejo de onda
[ao final da tarde.
Ignorando a proximidade da rebentação,
Como quem tem medo da chuva;
Como quem sentiu
[o sabor da ressaca.

18.8.11

Sem ver azuis

Do outro lado da rua te pressinto,
[te espreito.
Com ares de louco me escondo
(devaneio)
De teus olhos sem cor identificada.
Com mãos vazias
(vazias?)
Desfolho teus versos antigos
(feitos de partes minhas).
Com olhos bem abertos...
Não, melhor fechá-los.

10.8.11

De adeuses adiados

Minha partida tem nome
[e desertos plenos de miragem;
Não vejo graça na tua despedida
[ou no teu anseio de amor.
Te descubro antes do amanhecer,
Enquanto procuras teu rumo.
Vou embora com lembranças
[e flores secas;
Carregando vastas saudades.
Vou embora feito nota de jornal.

30.7.11

Versos amanhecidos

Com olhos no horizonte,
[gotas brotam incolores.
Sem o vento nos cabelos soltos
E o casaco pesado no banco,
Esperava.
Os suspiros constantes e doloridos
[enchem os ouvidos.
Há muitas horas sentia frio,
No entanto, esperava.
A qualquer momento chegaria
[pra trazer conforto e avelãs.
A qualquer minuto...

23.7.11

Nada

O nada de minha alma grita
Com voz surda;
Meus olhos cheios de vazio
Transbordam desertos;
Meus dedos insistem
No toque invisível que não sentes...

16.7.11

Parando na calçada

Desde sempre ando desabitada.
Tua sombra se aloja em minhas flores -
[as que ainda não brotaram.
Teu olhar em mim divaga
E distante se eterniza.
De porto seguro não conheces
[sequer o cheiro da solidão.
Te tenho longe, mas te sonho perto -
De desatinos conheço teu rosto.
Teu nome deságua em mim
E se perde em ruas estreitas.

9.7.11

Brevidade

De olhos fechados
A alma seguia as asas amarelas
Até chegar ao caminho certo,
Que leva ao recanto definitivo.

2.7.11

Botão de flor

De passados remotos sinto a vertigem -
Feito a brisa de inverno antes da chuva.
De abraços apertados
[surge um sorriso insistente -
Feito o amor ao anoitecer.
De infinitos só vejo o tom desbotado -
Feito um caminho de lágrima seca.
Do amanhecer caem palavras novas -
Feito a viagem de retorno.
De teus olhos brotam saudades -
Feito beijos roubados em pracinhas.

18.6.11

Fim do dia

Desvendo chuvas oblíquas
Através dos teus dedos.
Anoiteço e descalço.
Trago pétalas e te pronuncio;
Desfaço laços e me disfarço.
Abro a porta e te vejo de relance -
Disfarço e me desfaço.

11.6.11

Correnteza

Essa chuva incessante
Molha minhas asas.
Desfaz meu arco-íris.
Invade meu sono.
Te leva pela correnteza.
Me inunda de vazio.

4.6.11

Talvez outono

Teus olhos sem brilho me atormentam.
De infinitos falsos te vejo alicerce.
Já fui embora e não gostei.
Desmontei o Universo e morri.
(Tenho visões breves do presente.)
Sinto os sabores frios de teus desejos.
Vejo e emudeço -
Apenas sopro as folhas.

21.5.11

O dia que chegou

Derramo-me feito cachoeira
Dentro da madrugada cega;
Feito alguém ausente de universo.

14.5.11

Mundo nu

Desfeito o verso
Desfaço a chuva
Em milhares de pétalas.

7.5.11

Ventania

Amor.
Palavra vã.
Palavra vento,
Que sussurra entre as folhas,
Que beija o passante distraído,
Que envolve em chamas,
Que estimula.
Amor.
Palavra-antídoto de lamentações.

30.4.11

Desaviso

Tenho gotas de sonhos breves.
Abro os olhos em minutos prontos
E esqueço teus olhares longos.
Meus dedos trêmulos e errantes;
Minha boca seca e muda;
Meus olhos abertos e sem foco;
Tenho um infinito distante e desbotado.
Tenho o desejo de bilênios
Refletido nos teus olhos ausentes.

23.4.11

Estrelas roubadas

Você dorme profundamente
E sonha
Com meus lábios
Te fazendo versos
Mudos ao ouvido;
Sonha
Com meus olhos
Te chamando;
Sonha
Com meu corpo
Te acolhendo...

21.4.11

Ciranda

Me volto criança a te mirar;
Pé no chão,
Querendo colo
E uma canção de ninar.
Um afago nos cabelos;
Depois fechar os olhos.

9.4.11

Castelo

Meus dentes em tua pele
- Rasgando com o desejo de bilênios.
Tua tirania sem fim
- Derrubei a mesa e quebrei as lâmpadas.
Tuas mãos em meu corpo
- Sangrando de forma demente.
(O dia sobrou.)

27.3.11

Muros antigos

Teus dedos não prendem meus jardins,
Ainda que meus orvalhos
[madruguem por ti.
Tua boca não cala meu mundo.
Minhas pedras permanecem firmes.
Ainda que os girassóis demorem,
Teus olhos não vigiam meus desertos.

26.3.11

Na madrugada

Tua boca feito flor desabrochando
[me hipnotiza.
Me fala do sol que te aquece;
Das gotas que te molham na madrugada.
Me fala de folhas caídas
E prometo nunca mais fechar os olhos.

19.3.11

Despedaços

Me desfaço em litros,
Feito as tempestades de verão;
Me desfaço em pétalas,
Feito um jardim de primavera;
Me desfaço em folhas caídas,
Feito o chão de outono;
Me desfaço embaixo dos cobertores,
Feito o frio do inverno.

12.3.11

Rarefeito

Vejo tuas flores mortas
[em cima da mesa;
Enquanto teus olhos fechados
[se abrem em azul,
As nuvens acinzentam meu mundo.
Não há sol que as afaste
Ou chuva que transborde.
Não há mundo suficiente
[pra acalentar a escuridão.

1.3.11

Tempestade

Tenho o vento entre os dedos
E flores nos cabelos.
Tenho uma chuva de verão pronta;
Quando o primeiro lírio florescer,
Ela vai surgir.
Depois os girassóis podem reinar.

27.2.11

Tempo vago

Hoje à noite lembrei de versos
[que nunca te fiz;
Versos mudos que meus olhos
[te ofertaram em segredo,
Logo depois de te oferecer flores invisíveis,
[que recusaste.
Aquelas flores ainda têm o teu perfume...

26.2.11

Longe do farol

Desatento e convexo.
Distante e sem fronteiras.
Sem os olhos abertos
Ou os punhos fechados.
Indeciso e errado.
Sem flores.
Sem sol.

25.2.11

Descanso

As folhas se juntaram
Ao final daquela tarde fria;
Esperavam o vento vir lhes acariciar
E passar o resto do dia brincando
Numa alegria eterna.

19.2.11

Tarde na janela

as gotas da chuva molham meu rosto;
confundem-se nos meus cabelos
e me renovam.
a chuva não acabou ainda,
mas em algum momento haverá trégua.