27.3.11

Muros antigos

Teus dedos não prendem meus jardins,
Ainda que meus orvalhos
[madruguem por ti.
Tua boca não cala meu mundo.
Minhas pedras permanecem firmes.
Ainda que os girassóis demorem,
Teus olhos não vigiam meus desertos.

26.3.11

Na madrugada

Tua boca feito flor desabrochando
[me hipnotiza.
Me fala do sol que te aquece;
Das gotas que te molham na madrugada.
Me fala de folhas caídas
E prometo nunca mais fechar os olhos.

19.3.11

Despedaços

Me desfaço em litros,
Feito as tempestades de verão;
Me desfaço em pétalas,
Feito um jardim de primavera;
Me desfaço em folhas caídas,
Feito o chão de outono;
Me desfaço embaixo dos cobertores,
Feito o frio do inverno.

12.3.11

Rarefeito

Vejo tuas flores mortas
[em cima da mesa;
Enquanto teus olhos fechados
[se abrem em azul,
As nuvens acinzentam meu mundo.
Não há sol que as afaste
Ou chuva que transborde.
Não há mundo suficiente
[pra acalentar a escuridão.

1.3.11

Tempestade

Tenho o vento entre os dedos
E flores nos cabelos.
Tenho uma chuva de verão pronta;
Quando o primeiro lírio florescer,
Ela vai surgir.
Depois os girassóis podem reinar.