30.7.11

Versos amanhecidos

Com olhos no horizonte,
[gotas brotam incolores.
Sem o vento nos cabelos soltos
E o casaco pesado no banco,
Esperava.
Os suspiros constantes e doloridos
[enchem os ouvidos.
Há muitas horas sentia frio,
No entanto, esperava.
A qualquer momento chegaria
[pra trazer conforto e avelãs.
A qualquer minuto...

23.7.11

Nada

O nada de minha alma grita
Com voz surda;
Meus olhos cheios de vazio
Transbordam desertos;
Meus dedos insistem
No toque invisível que não sentes...

16.7.11

Parando na calçada

Desde sempre ando desabitada.
Tua sombra se aloja em minhas flores -
[as que ainda não brotaram.
Teu olhar em mim divaga
E distante se eterniza.
De porto seguro não conheces
[sequer o cheiro da solidão.
Te tenho longe, mas te sonho perto -
De desatinos conheço teu rosto.
Teu nome deságua em mim
E se perde em ruas estreitas.

9.7.11

Brevidade

De olhos fechados
A alma seguia as asas amarelas
Até chegar ao caminho certo,
Que leva ao recanto definitivo.

2.7.11

Botão de flor

De passados remotos sinto a vertigem -
Feito a brisa de inverno antes da chuva.
De abraços apertados
[surge um sorriso insistente -
Feito o amor ao anoitecer.
De infinitos só vejo o tom desbotado -
Feito um caminho de lágrima seca.
Do amanhecer caem palavras novas -
Feito a viagem de retorno.
De teus olhos brotam saudades -
Feito beijos roubados em pracinhas.