27.8.11

Pés molhados

Com o rio brinco
[até o nascer do dia.
Ele desarruma meu cabelo
E me entontece.
Deixa arranhões leves
[que não me deixam esquecer...
(Vai embora com promessas,
E volta com renovada loucura)
Se despede com o doce sorriso
[de quem não parte nunca.

22.8.11

Promessas de mar

Uma sombra de desespero
[se esconde dentro do peito.
De luas e vertigens vejo
[teus olhos brilhando.
(Anda, Lua, bem na minha janela!)
Fechando os olhos em segredo -
Sem os desvios do pôr-do-sol,
Um desejo de onda
[ao final da tarde.
Ignorando a proximidade da rebentação,
Como quem tem medo da chuva;
Como quem sentiu
[o sabor da ressaca.

18.8.11

Sem ver azuis

Do outro lado da rua te pressinto,
[te espreito.
Com ares de louco me escondo
(devaneio)
De teus olhos sem cor identificada.
Com mãos vazias
(vazias?)
Desfolho teus versos antigos
(feitos de partes minhas).
Com olhos bem abertos...
Não, melhor fechá-los.

10.8.11

De adeuses adiados

Minha partida tem nome
[e desertos plenos de miragem;
Não vejo graça na tua despedida
[ou no teu anseio de amor.
Te descubro antes do amanhecer,
Enquanto procuras teu rumo.
Vou embora com lembranças
[e flores secas;
Carregando vastas saudades.
Vou embora feito nota de jornal.