27.9.11

Caos sem roteiro

Sem tamanha doçura
Pressinto tuas mãos quentes de devaneio
(Se te enervo, desatino).
Vejo teus lindos olhos brilhantes
- de mentira,
Acredito na tua falta de tranquilidade
(Não assumo e te assombro).
Adivinho tuas diversas crueldades,
Tuas desavenças futuras
(Se sumo, te devasto).

17.9.11

Paredes/ Sonâmbulo

Teus passos incertos de bêbado,
Com cautela e medo -
Pra onde seguem?
Teus toques cegos no escuro -
O interruptor sempre some.
A casa imensa te engole
(os passos, as mãos, o grito, a alma)
Sem distrações.
Por onde se volta?

10.9.11

Sem partir

Numa tarde morna
Abri uma porta estreita
E me deparei com
(o abismo)
Teus olhos cheios de medo.
Sem truques ou alarde,
Lágrimas ou queda.
Era num fim de tarde,
Bem perto da escuridão.

3.9.11

Por temor da noite

Teu hálito tão quente
(e tão próximo...)
Me avisa que o dia acabará
(num instante.)
Sem sobressaltos ou olhares furtivos
Busco refúgio numa janela
[aberta pra lugar algum.
Ir agora é deixar anoitecer.
Ir embora agora é não voltar mais.