29.10.11

De trens e horizontes

O trem partiu bem tarde,
Numa manhã clara.
Apesar de toda a balbúrdia,
Importava apenas aquela
[mão pequena
Indo pra longe e acenando.
No rosto pairava dúvida,
(-Quando irá me buscar?)
E sumia rapidamente.
O trem foi embora -
No horizonte apenas sua fumaça;
Dentro do peito, um futuro arruinado.

18.10.11

Rumo norte

Sentado no meio da praça,
Entre árvores e brisas -
Com dedos do tempo aceita
[o vento;
Com olhos tranquilos
Vislumbra eternidades
[e infinitos degraus.
Sem a pressa do fim da tarde,
Arruma histórias e
[deixa anoitecer.

15.10.11

Reflexos

Com olhos molhados e sofridos
(por muitos refletores),
Observa um corpo palpitante demais
[e sem rumo.
Brotando pequenas gotas de medo
Demorou-se alguns instantes.
Num átimo surgem pedaços de desejo
[e disritmia.
Contornou a multidão inexistente
E quedou-se sem rumo também
- Sem a sutil distância segura
[entre mundos bagunçados.

9.10.11

Ruas singulares

Entre sutilezas e palpitações
Tuas mãos descrevem
(viagens longínquas)
O final duma tarde morna,
Com cheiros de jasmim e canela.
Teus olhos serenos prenunciam
(uma noite de brisa e sossego)
O resto dum dia límpido e
[enluaradamente agradável.