29.10.12

Marcas

De leve sopro e fagulha breve,
Uma longa história numa lacuna falha.
(Olhares degovernados,
Horizonte foscos,
Pensamentos vis...)
Por que ainda permanecer
Nessas ruínas de incêndio?

22.8.12

De ladeiras

Ando em lacunas de estrada;
[em terra batida]
Zanzando alucinadamente cega,
Em buscas perdidas de nuvens chuvosas;
Juntando caracóis vazios
Numa coleção sem sentido.
Ando eu...

18.8.12

Orvalho

Entre folhas mortas
(como teus beijos)
Adormeço suavemente
[sem medo,
[sem cor.
O vento desarruma o jardim
[com risadas em sussurro.
Há imagens de sonhos
(se esvaem)
Bem perto do anoitecer.

10.7.12

De coisas pequenas

De folhas caídas
[o chão (sumiu) se enfeitou.
A aranha se esconde
(espreitando)
De chuvas breves e frias.
Que noite longa...

17.5.12

Apenas maio

Te contei as histórias erradas
Em momentos oportunos;
Fiz teus olhos me desnudarem
- Sem saídas imediatas ou
[janelas sem grades;
Te disse adeus numa tarde qualquer.
(Parecia a mais quente)
Desfiz o que não tinha feito ainda -
Refiz teus sorrisos mortos.
Tranquei as portas...
Esqueci apenas de te devolver as chaves.

23.4.12

De eternas fugas

Escuto tuas palavras que o vento
[carrega desde lonjuras...
Teus verbos tão consistentes quanto
(fumaça)
Um cheiro esquecido na infância
Não mascaram as diversas rotas de fuga.
Em instantes...
(lacuna... terremoto... pontos finais)
Cadê o vento que te levou?

31.3.12

De fitas azuis

Jogos estranhos e divertidos
[pra esconder e dormir;
Longas andanças em busca de
Grandes doces mordidos e
[de cores vibrantes -
Mas dentro do escuro,
Leves brincadeiras antes de sair.

25.3.12

Aquele de tentativas

Tenho um punhado de versos prontos
[incongruentes e infelizes
(A)Guardando...
- o quê?! não ouvi!
Divagando em teu riso fácil;
Suplicando por teus olhos bonitos
[voltados pra mim.

6.3.12

Quando anoitecer

Estrelas dispersas que me olham,
Que me paqueram de longe -
Sem desejo de descer.
Estrelitas longínquas e pulsantes,
Venham me contar estorinhas,
Dar beijos na testa
E brincar com meus cabelos.
Venham antes que
[eu feche os olhos.

27.2.12

Redemoinho

Teus pequeninos pés valsam-rodopiam,
Transfiguram o chão de folhas
Como a algazarra do vento.
Teus pés imitam vendavais
[e iniciam minúsculos caos.
Teus pequeninos pés de vento.

14.1.12

tarde de pétalas arrancadas

teus olhos passeiam com a pressa
[de viver noutro mundo particular.
com a facilidade da fuga,
desabita sentimentos feito cigano;
olha pra trás apenas por tempo suficiente
- sem perder rotas seguidas.

destroça caminhos traçados
(que outros não te sigam!),
derruba barreiras aos blocos
e se esvai fluidamente.

de braços sempre abertos,
que o mundo não tem fim.

12.1.12

Feito alvorada

Florzitas na janela,
Florescendo com raios de sol,
[mesmo em nublado.
Pequeninas florestas invadindo quintais
- Quadrados cinzentos de vastidão.
Cores sérias dum céu refletido
[em olhos bem próximos.
Num horizonte diferente vem
[uma lua despreocupada.

6.1.12

Desabitado

Dum ponto remoto
Meio sem fim
Distante e frio
De coração partido
Quase partindo
Dum ponto qualquer
De migalhas
Enfim.