11.11.13

Frente ao sol

Com olhares roubados,
Sinto a dor da promessa.
Finjo olhar o céu
[só pra não te ver chegar;
Teu último verso desatinado
Encontrou diversas mãos
(exceto as minhas...)
Teu último sorriso encantador
Me deu um aperto no peito,
[onde brotou a saudade.

10.8.13

Serenos

Um canto em surdina
(Não se pode distinguir as sílabas)
Chega até qualquer janela
- Através do vento.
Se dispersa por dentro de casa
[e ouvidos atentos.
Uma cantiga que só tem força de lamento.
E um lamento que devasta as ventanias.

17.5.13

Novembro

De lá
Daqui.
Vestido rodado
Embolado no chão de tapete
[onde estão os sapatos?
Paredes de olhos abertos e sem justificativas.
De baixo
Pra cima.

4.5.13

De belezas exuberantes

Minha roseira cheia
[de pequenos espinhos.
Minha roseira tão latente e cor-de-rosa.
Com a brisa da manhã
E o sereno leve da noite
Suas pétalas se abriram.
Orvalhada de sono e beleza;
Perfumada e tentadora
- Atrai as borboletas mais coloridas e sedentas.
Uma roseira emanante de alegria
(e amante de pingos de chuva).
Anoitece exausta
[de tanto cortejo a sua beleza;
Adormece e sonha coisas leves.

2.5.13

Bolhas-mundi

Vejo meio que do alto
[de qualquer lugar sem fim]
Uma cidade feita de bolhas- parabólicas.
Quase se pode alçar voo com tantas bolhas,
Se não abrigassem tanto desespero e solidão dissimulados.
Bolhas paradas,
Mas barulhentas ao ponto de reverberar.
Bolhas espalhadas por todos os lados
(feito praga).
Uma cidade cheia delas e ninguém vê.

5.4.13

Pelos caminhos

Num bailio gracioso, a borboleta voa pequena pelas moitinhas de flores.
Tão amarela em vivacidade quanto leve em alegria.
Meio tonta-inebriada planou baixo pelo asfalto.
Quedou-se desanimada na estrada.
(não viu o carro que vinha rápido e a atropelou em seu bailado curto.)

24.2.13

Amarelo risonho

Um amarelo acordado entre nuvens
[se espalha feito cachoeira;
Se derrama com leveza de pluma,
Sem vergonha de não ser folha de outono.
Adormece com dificuldade
(por ter peso de chumbo nos pés)
Nas pedras mais altas.
Sonhando se expandir sem limites...

6.1.13

Blimblom

De grande noite
Em céu pequeno,
Estrelas se esfarelam
Num mar sem ondas.