28.4.15

De sentidos

Precisei liberar os fantasmas,
Sempre adormecidos dentro de mim.
[Malvados de qualquer forma,
Eles me encaram:
Fazendo perguntas?
Dando respostas?
Nunca sei.
Vingativos por direito;
Sedentos demais.
Basta fechar os olhos e
(As portas)
Apenas sussurros de desgosto.

23.4.15

um outro dia

gosto de juntar palavras soltas,
como quem varre as folhas caídas.
procuro limpá-las de todo o caos
(só pra você entender...)
e restos de lama da última tempestade.
gosto de misturar os pensamentos
[e perder os sentidos.
só pra você perceber...

29.3.15

Sem ver

Com passos curtos,
Encontro outra saída
(rota de fuga),
Longe de redemoinhos sonolentos.
Longe de mãos insistentes.

18.3.15

Há dias

Acumulo vários dias de deserto
[quente e seco;
E quando não é mais possível
Prever
(conter, talvez),
As tempestades escorrem.
Sem barreiras ou ventanias.
Sem perdão ou remorso.

3.2.15

De vidro

Em sonhos antigos
Procurei as cores mais fortes.
Um pouco de vermelho
[por causa das rosas;
Um intenso amarelo
[pela beleza do amanhecer;
Alguns tipos de azuis
- céu e mar se completam.
Em sonhos da tarde
Só vislumbrei sombras.

1.2.15

De virtudes

Um olhar distante
À procura de um novo verso
Que consiga
[escondê-la.
Sua ausência de palavras
Torna mais amarga
A constante lembrança
[do seu sorriso
[da sua pele
[da sua leveza.

22.1.15

do que é eterno

como quem não quer nada,
faz de conta que olhar
[o céu
é tão importante quanto desprezar as folhas caídas;
faz de conta que
[a chuva não é tão bonita assim;
a tristeza não é muito profunda,
apesar dos olhos molhados.
como quem não quer nada,
desfaz uma vida inteira -
faz de conta.